Sim, é o nome de um filme italiano que está em cartaz no Rio, que eu não vi ainda - e provavelmente não verei, o trailler não me disse nada. Mas, semelhanças de títulos a parte, este post é uma apresentação do poeta love da semana, Paulo Miklos. É também uma desculpa para eu falar sobre o dito cujo. Não o Paulo, pois infelizmente não o conheço. Sobre o amor.
Até aonde a gente vai por amor? Até aonde o outro vai, e será que a gente também quer ir até lá? E se eu não topar fazer a viagem, acabou o amor? Não necessariamente. Aí está o ponto: amar é igual pra todo mundo, mas só até a página dois.
Acabo de te trair
Em pensamento
Não deixo você ouvir
O que te traz sofrimento
Acabo de me trair
O que é que eu estou dizendo?
Por convicção, amar pressupõe cuidado. Esconder verdades para evitar sofrimento é ausência de amor? E se o outro descobre tais verdades e se cala, é amor? Todo casal é uma espécie de
reality show e a 'audiência', ainda que não verbalize, vai rotular: isso é covardia, dependência, insegurança, ou pra seguir a moda dizem que 'o casal está em crise'. O ser humano tem necessidade de achar respostas, e logo trata de definir ou substituir sentimentos - inclusive os dos outros.
Acabo de me separar
Sem fazer alarde
Te ligo quando chegar lá
E te escondo a verdade
Nós vamos nos reconciliar
E você nem sabe
Mas o que eu sei? Sei que amo algumas pessoas. E relevo (dentro do meu limite, pois amor sem amor próprio não vale) o que para mim são defeitos, só porque amo. Mas já esqueci pessoas que me amavam, que me aturavam, e também já decepcionei quem me amava e eu amava, me arrependi algumas vezes. Já perdoei e fui perdoada, por amor. Sou feliz por viver há dez anos com uma pessoa que amo, e tenho visto que amar não é simples, se você não quiser que seja.
Amar é o que você acredita que seja amar.
Se é amor tem
Desencontros
Amar também
Um contra o outro
E lutar sempre
Por esse amor
Que morre e reascende
Melhor
Amar deve ser fácil: não espere a alma gêmea. Nem o amor a primeira vista. Emocione-se com as coisas e os causos alheios, mas não transfira para a sua vida o que lê e vê nos filmes e livros. Esqueça as novelas - as relações ali expostas legitimam as distorções do estado mais genuíno do amor, ainda que rendam assunto em alguns debates socio-antropológicos ou mesas de fofoca. Viva o seu amor como ele é.
E demonstre enquanto é vivo porque "não existe o amor, apenas provas de amor".